segunda-feira, 12 de junho de 2017

Mulheres do Século 21 - "Mulher-Maravilha" enfim triunfa nas telas!



A DC acertou o tom, enfim. "Wonder Woman" é tão equilibrado e divertido que muitos já julgam ser um dos melhores filmes da Marvel - uma piada inevitável e até justa. A trama é um grande flashback para apresentar a origem da heroína e explicar aquela foto que a introduziu em "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" (2016). Apesar de muitas concessões esperadas do subgênero, é ótimo que uma personagem feminina tão icônica tenha enfim ganhado espaço nas telas dominadas por protagonistas masculinos. A princesa Diana de Gal Gadot é a figura certa no momento certo - e a atriz israelense, uma escolha inspirada e firme para encarnar um dos maiores símbolos femininos da cultura pop. 

Inserir a personagem no contexto da Primeira Guerra Mundial torna o roteiro muitíssimo mais interessante e empolgante, com direção de arte caprichada e sequências de guerra arrepiantes. Ainda que seja o centro da ação, Diana tem personagens carismáticos como parceiros de aventura - como o francês Saïd Taghmaoui de "O Ódio" (1995) e Ewen Bremner de "Trainspotting" (1996), além do maroto Capitão Kir… Chris Pine. David Thewlis, eterno Remo Lupin para os fãs de Harry Potter, também dá as caras em participação curiosa e Robin Wright novamente prova que não precisa de muito tempo de cena para roubar tudo pra si. Há espaço para o humor e sequências memoráveis, embora o clímax seja um inevitável Dragon Ball Z entre deuses. Por trás de todas explosões, porém, há uma intenção muito feliz e bem realizada. Se é para fazer mais filmes de super-heróis - e eles virão -, que sejam mais parecidos com esse. Fica apenas um pedido sincero: parem de escalar Danny Huston para fazer outro vilão. Já deu - no caso dele, não deu. 

Para fechar, é importantíssimo destacar que a direção é da americana Patty Jenkins, especialista em séries e cujo único longa anterior deu um Oscar a Charlize Theron - o intenso "Monster - Desejo Assassino" (2003). A californiana comanda cenas de ação de cair o queixo e com total segurança, e isso pode abrir espaço para mais diretoras em adaptações de quadrinhos. 
Wonder Women, na frente e atrás das câmeras. 



quarta-feira, 31 de maio de 2017

A Casa das Sete Mulheres - Sofia Coppola conquista Cannes com "The Beguiled"


Sofia Coppola fez História no recente Festival de Cannes, ao se tornar a segunda mulher a receber o Prêmio de Direção no evento - a primeira foi a russa Yuliya Solntseva com "A Epopeia dos Anos de Fogo" (1960). A cineasta recebeu o prêmio por esse sofisticado remake do clássico "O Estranho que Nós Amamos", estrelado por Clint Eastwood em 1971. Curiosamente, é a obra que menos tem a já cultuada assinatura da diretora/roteirista. Isso não deixa de ser positivo, ao revelar uma versatilidade e amadurecimento artístico em explorar novas possibilidades. Ela até se reune às velhas conhecidas Kirsten Dunst e Elle Fanning, mas guarda o papel catalizador à esfinge canalizada por Nicole Kidman. 

O ritmo lento e contemplativo garante um espetáculo visual, em imagens que poderiam ser confundidas com pinturas impressionistas. Ainda que expositivo de forma desnecessária em alguns momentos, o roteiro é pontuado por momentos de virada certeiros para o arco narrativo. É quase uma versão norte-americana de "A Casa das Sete Mulheres": sete mulheres (olha só) vivem isoladas em uma mansão durante a Guerra Civil Americana, até que um soldado ferido é encontrado perto do local e invade a privacidade do grupo. Basta saber isso. 

Provavelmente renomeado como "O Estranho que Nós Amávamos" no Brasil (acontece), a obra flerta com o Cinema de Bergman (em conteúdo) e de Kubrick (em forma) - provando que moça Sofia é uma cineasta tão relevante e autoral quanto o pai Francis. Aos fãs fiéis, a chance de ver Coppola deixar de lado o jeitão pop/cult e abraçar o clássico, sem medo de ser levemente careta e até fria na abordagem.