sábado, 13 de julho de 2013

Uma Nova Esperança - Superman Tenta Alçar Voo nos Cinemas - Mais Uma Vez - com "Homem de Aço"


Então vamos lá. Eu gosto de Zack Snyder, mesmo. Diretor de grande apuro estético, ele fez uma apresentação digna com "Madrugada dos Mortos"(2004), proporcionou uma eficiente viagem visual em "300"(2006), mandou muito bem com a ousada adaptação de "Watchmen" (2009) e até mesmo o confuso e irregular "Sucker Punch"(2011) tinha lá seus méritos. À princípio, Snyder parecia ser realmente o homem certo para assumir o reboot do Superman nos cinemas, após a rejeição geral que "Superman - O Retorno" recebeu em 2006. Quando o nome de Christopher Nolan apareceu na produção então, parecia que não havia possibilidade de dar errado. E aí... Deu.

Seguindo a linha da trilogia de Nolan sobre Batman, a ideia aqui era renovar a imagem do famoso personagem da DC Comics criado em 1938 pelos amigos Joe Shuster e Jerry Siegel. Para isso, esqueceriam completamente qualquer filme anterior protagonizado pelo personagem - principalmente o clássico eterno dirigo por Richard Donner em 1978, aquele estrelado pelo icônico Christopher Reeve. Nada seria considerado ou reaproveitado, nem mesmo a perfeita e imortal trilha sonora composta por John Williams. A proposta era arriscada e foi seguida à risca. Somado a isso, haveria ainda a tentativa de conferir uma abordagem mais realista ao herói, como foi feito com o Caveleiro das Trevas. Outro grande risco... Que não foi tão bem executado.


Diferente do nostálgio filme-tributo feito por Bryan Singer em 2006, "Man Of Steel" não tem nenhum laço ou ligação com produções anteriores. Não se dá nem mesmo ao trabalho de fazer pequenas referências/citações aos quadrinhos ou filmes do passao, algo que agradaria os fãs mais fiéis. Como prometido, retomam toda história do zero e lhe dão uma nova abordagem. Mas compará-lo com qualquer filme do Batman orquestrado por Christopher Nolan é o mais puro exagero. Todo realismo, contextualização e vigor presente em cada uma das três partes está bem distante do que vemos aqui. Ao tentar modificar completamente o perfil do Superman nos cinemas, acabaram estragando seu charme, simplificando demais o personagem e seu universo.

Se a primeira parte do filme - a "origem do herói" - parece tirada dessas genéricas ficções científicas produzidas na última década, as sequências que teoricamente mergulhariam na mente do personagem acabam sendo muito rasas. Como era de se imaginar, Snyder capta belíssimas imagens com a sua câmera, verdade seja dita. Por certos momentos, até flerta com um ritmo e narração semelhantes aos usados em "A Árvore da Vida". Mas essas cenas, belíssimas soltas ou no trailer do filme, não funcionam bem juntas. Tudo acaba levando a cenas de explosão e ação desenfreada. TUDO. SEMPRE.


A graça dos filmes originais protagonizados pelo super-homem de Krypton não era apenas os efeitos especiais da época ou a imagem forte de Reeve com o uniforme. Grande parte da magia ou química estava na construção dos personagens e da relação entre eles. E aqui eu digo que gostava muito dos filmes originais e até mesmo da visão de Bryan Singer. O núcleo do jornal Planeta Diário, no qual Kal-El se escondia sob o disfarce de Clark Kent, era uma espécie de equilíbrio extremamente importante nos filmes. A relação do desajeitado/tímido Clark com a repórter Lois Lane, o fotógrafo Jimmy Olsen e o editor Perry White injetava humor e humanidade às aventuras. Isso sem citar o carismático vilão Lex Luthor, defendido de forma brilhante e genial pelos Oscarizados Gene Hackman (nos filmes antigos) e Kevin Spacey (em 2006). Acredito que o público tinha carinho especial por esses personagens. Aqui, tudo isso é deixado de lado. O Planeta Diário até dá as caras, mas de forma burocrática e rápida. Lawrence Fishburne e Amy Adams simplesmente NÃO funcionam como Perry White e Lois Lane.

O vilão da vez, no final das contas, é o mesmo General Zod antes incorporado por um excêntrico Terence Stamp em 1978 e na continuação de 1980. Aqui é Michael Shannon quem o incorpora. Shannon é um grande ator e já provou isso em filmes como "Foi Apenas Um Sonho" (2008) e na série "Boardwalk Empire". Mas aqui ele exagera e berra demais, tentando alcançar o tom antes usado por Stamp. Consegue apenas ficar caricato. É incrível como não há NENHUMA atuação inspirada ou apaixonada em todo o filme. Adams, Fishburne, Shannon, Diane Lane e até mesmo Russel Crowe são atores que já realizaram grandes trabalhos, mas aqui fazem seus papéis de forma superficial e no piloto automático. O único que se sobressai um pouco é o envelhecido Kevin Costner que vive Jonathan Kent - e mesmo assim ele tem muito pouco tempo em cena.


Grande parte da expectativa dessa produção estava na figura de Henry Cavill, o novo Superman. Sejamos justos: Cavill faz um bom trabalho. O inglês - sim, o ator que incorpora esse ícone norte-americano é inglês... reflita - tem porte e atitude para ser herói e fica muito bem no novo uniforme modernizado. A pena é que ele não tem muitas oportunidades de mostrar isso. Os momentos dramáticos são raros e as cenas de ação, por vezes, beiram o ridículo. O super-herói, que supostamente devia salvar as pessoas em perigo nas ruas e prédios, já chega destruindo tudo. E dá-lhe explosões, destruição e mais explosões. Em certos momentos, parece até que estamos assistindo algum filme de Michael Bay. Já nas lutas com os "vilões", o filme parece o que seria uma adaptação decente de "Dragon Ball Z". Afinal, lá sim a graça seria ver cenas de lutas caóticas e explosivas - não em um filme que se propõe a ser uma abordagem realista e fiel de um personagem consagrado da cultura pop. Essas cenas de ação, inclusive, chegam a ficar cansativas ao longo dos (exagerados) 143 minutos de duração.

No final das contas, "Homen de Aço" não funciona e fica muito abaixo das expectativas. Quem procura filmes de ação descompromissados podem até se deixar levar pelos incríveis efeitos especiais e jeitão de blockbuster, mas qualquer fã do personagem vai sair dos cinemas com a certeza de que Zack Snyder podia ter realizado um trabalho muito mais grandioso e impactante. E as ferramentas para isso ele tinha. Mas é preciso lembrar que se soltamos uma criança em um parque de diversões muito grande, ela pode se perder, se machucar e até fazer uma besteira. Diante de tudo isso, só digo mais uma coisa: saudades do Lex Luthor.


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