sábado, 29 de outubro de 2011

É Coisa de Cinema: Os Perigosos Caminhos de Jumping Jack Flash

Charlie (Harvey Keitel) está cansado.Trabalhando para crescer no submundo dos guetos de Little Italy, em Nova York, fica dividido entre a religiosidade da família e a violência que cerca o mundo do qual fará parte. E quando resolve esfriar a cabeça no bar do amigo Tony (David Proval), surge quem ele menos queria ver: Johnny Boy, um jovem revoltado, agressivo e sem escrúpulos, que vive se metendo em confusões por causa de dívidas de jogo. Seria apenas mais um personagem secundário, se não fosse sua introdução em cena. Tudo para (o filme e o espectador) quando os primeiros acordes de "Jumping Jack Flash", dos Rolling Stones, são ouvidos ao fundo da charmosa câmera lenta.

Aquela cena de um minuto resume "Caminhos Perigosos"(1973), primeira obra-prima de Martin Scorsese, que apresentava ali seu estilo único de câmera. Era também a primeira vez que o grande público via Robert Mario De Niro Jr.. No primeiro dos oito (!) filmes que faria com Scorsese, foi esse papel que fez as atenções se voltarem a De Niro, que se tornaria astro de primeira grandeza por suas interpretaçõs explosivas - derivadas dessa. No ano seguinte, ganharia seu primeiro Oscar como Ator Coadjuvante em "O Poderoso Chefão - Parte II". Muito graças a esse filme. Muito graças a essa cena.

Era o ínicio da "década dos diretores", e o público ainda se acostumava a ver uma produção tão realista e violenta, repleta de sexo, drogas e rockn' roll da melhor qualidade. É como se entrassem nos cinemas para assistir ao que encontravam nas ruas. Mal sabiam que vivenciavam a fase mais inspirada do cinema americano.

Não deu outra. Harvey Keitel, que dava vida a um alter-ego do próprio Scorsese e protagonizava o filme, acabou em segundo plano, ofucsado pela presença hipnótica de De Niro. Ele e Scorsese viraram as celebridades mais requisitadas daquela nova geração. Todo esse prestígio e credibilidade gerariam, três anos mais tarde, a obra seminal chamada "Taxi Driver". Tudo graças a uma cena simples e icônica como essa.

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